CUQUINHO
Demorei a acreditar que um simples animal poderia trazer momentos de alegria para nós, simples seres humanos. Pra mim, só outra pessoa “de carne e osso” teria condições de entender meus momentos de raiva, minhas fraquezas e assim completar em mim aquilo que faz falta. Puro engano. Quanto mais o tempo passa, mais eu fico convencida da relação saudável que um simples animal pode nos propiciar.
Meu cachorro me aceita do jeito que eu sou. As pessoas vivem apontando meus defeitos e cobrando aquilo que nem elas podem dar. Meu cachorro respeita minha individualidade. As pessoas insistem em saber mais de mim do que eu mesmo sei de mim. Meu cachorro não deixa de ser meu amigo quando todos me abandonam. Grande parte dos que se diziam meus amigos me abandonaram quando mais precisei deles.
Continuo acreditando nas pessoas. É evidente que um animal nunca ocupará o posto principal das nossas relações. Gente tem o calor humano e o cachorro não tem. Questiono tão somente o fato de nunca ter sido traído por um cachorro (exceto no dia em que resolvi acorda-lo e levei uma baita mordida) e já ter me decepcionado muito com as pessoas, ainda mais com aquelas em quem pus toda minha confiança.
A revista Superinteressante do mês passado falou sobre esta relação homem-animal. Compreendi perfeitamente que sou uma privilegiada por ter como amigo um cachorro que me entende. Entende? Sim, parece esquisito, mas experimento isso no dia-a-dia. Comumente sou abordado por ele para fazê-lo um carinho, sentá-lo no meu colo ou levá-lo para passear. Quando estou triste, ele faz de tudo pra me alegrar: late , fáz festa e, corre pela casa inteira e volta do quintal para estrear suas patas sujas na roupa que acabei de trocar.
Dizem que todos nós deveríamos ser como os cachorros e evitarmos ao máximo seguir o exemplo dos gatos. Fácil de entender. Já tive um gato, ele nem ligava pra mim. Só queria saber mesmo é de comida, água e dormida. Meu cachorro troca o conforto de uma almofada por um passeio na pracinha. Faz festa quando chego e fica triste quando saio. Se me zango com ele, respeita meu temperamento e corre para deitar. Mais tarde, esquece tudo o que eu fiz e continua a ser meu melhor amigo. Se aprendêssemos isso dos cachorros, talvez nos tornássemos seres humanos melhores.
Li uma pesquisa que falava sobre a importância do contato canino para a cura de diversas doenças. Outra bem interessante falava sobre o aumento da popularidade daqueles que passeiam com seu cachorro. Seja como for, vou tentar aprender lições primorosas que os 21 anos de convivência com meu cachorrinho se encarregou de me mostrar. Amo o ser humano, valorizo demais a vida, mas tenho certeza que nosso cachorro nos ama com um amor incondicional, e é disso que todos nós precisamos.
LU GUEDES 2010