Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha vida estava vazia.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava pela rua.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador!
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre...
Por fim eu enxerguei a Nuvem de calça.
Representou para mim que ela andava pela rua de braços com Maiakovski, seu criador.
Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
Nem um outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.
Ufa!!!
A foto saiu legal.
Sabado - 16 de abril de 2011
Assin. Lu Guedes